Dedos em mola e tenossinovites dos flexores


A tenossinovite estenosante é causada pelo espessamento e estenose (constrição) da bainha dos tendões flexores na extremidade distal da palma da mão (sobre a cabeça dos ossos metacárpicos), provocada por uma particularidade anatômica que sai fora do âmbito desta descrição. Na nomenclatura anglo-saxonica e-lhe atribuído  o nome de tendovaginite estenosante por se tratar de um problema mais relacionado com a bainha do que propriamente com o tendão.

A génese do problema reside num atrito entre o tendão e a bainha, numa zona em que o tendão muda subitamente de direção, consoante a mão está aberta ou fechada, estando a bainha tendinosa sujeita a grandes forças de tensão e compressão

Trata-se de um problema fundamentalmente mecânico, e por isso, com grande tendência para a cronicidade. Está associada a graus variáveis de inflamação, responsável pelas queixas dolorosas.

A situação clínica é caracterizada por dor e dificuldade na mobilização do(s) dedo(s). Esta dificuldade em mobilizar os dedos pode manifestar-se de várias formas:

1 – O doente sente crepitação (roçar) durante o movimento de flexão e extensão

2 – Dificuldade e ressalto durante a extensão (dificuldade em esticar o dedo). A extensão pode ser difícil, exigir esforço, acompanhado de um ressalto súbito e doloroso – estamos perante o dedo em mola.

3 – Mais raramente o dedo pode engatilhar em flexão, sendo que o doente não é capaz de efetuar extensão do dedo – situação conhecida por dedo em gatilho. Este forma é mais frequente em idade infantil (dedo em gatilho infantil)

4 – O doente poderá referir dificuldades na flexão (dobrar) o dedo

5 – Pode a situação apresentar apenas queixas dolorosas

Esta situação clínica tem origem numa tenossinovite estenosante.

O polegar é o dedo mais atingido, seguido do anelar (4° dedo), médio (3° dedo), seguido pelo indicador (2°) e minimo (5°). Menos frequentemente a tenossinovite estenosante manifesta-se por dificuldade na flexão dos dedos.

 

A situação é arrastada com tendência para a cronicidade. As queixas dolorosas estão presentes mas podem ter intensidade variável ao longo do tempo.

Com a evolução a bainha tende a espessar-se aumentando a estenose da mesma.

 

O diagnostico é fundamentalmente clínico: dor local e ressalto na mobilização do dedo afectado; estas queixas são agravadas ou despertadas quando se pressiona a cabeça do metacarpiano; A ecografia confirma o diagnóstico.

 

Tratamento

Situações com pouco tempo de evolução deve tentar-se o tratamento conservador com AINEs e infiltração com corticoide. Geralmente utilizo 1cc de diprofos +1cc de lidocaina. A infiltração resolve cerca de 2/3 dos casos, mas em caso de falhar não aconselho repetição. O seu uso deve ser muito cuidadoso na presença de diabetes.

Nos casos de longa duração, forte ressalto, presença de espessa estenose da bainha ou falha da infiltração, devemos optar pela libertação cirúrgica.

A operação consiste na abertura da bainha (apenas da pulai A1) e libertação tendinosa e se necessário limpeza do canal digital. Na presença de sinovite proliferaria devêremos associar tenossinovectomia.

A operação é feita em regime de ambulatório, de preferência sob anestesia troncular.

No pos-operatório o doente é estimulado a mobilizar ativamente os dedos usar a mão nas tarefas básicas da vida diária (vestir, alimentar-se, tratar da sua higiene, pegar nos objectos, etc) evitando apenas pesos ou gestos muito repetitivos.

Os pontos são retirados entre os 10 e 14 dias pos-op. O tempo de paragem ao trabalho é variavel, mas geralmente ronda as 3 semanas; nos trabalhos pesados, a interrupção laboral poderá ser superior. O prognostico é bom e as recidivas são raras