Fraturas de falanges


São lesões frequentes que podem afectar qualquer faicha etária.
Podem resultar de traumatismos triviais (quedas, pancadas e torções dos dedos, etc.)
As fraturas podem ocorrer como lesão isolada, ou poderão estar associadas a ferimentos, que poderão ser simples, ou pelo contrário, complexos e profundos, podendo seccionar tendões, feixes vasculo-nervosos dos dedos. As feridas podem ainda expor o foco (local) da fratura (fratura exposta)
As fraturas poderão ser classificadas como
1 – sem desvio: ocorre fratura mas não houve nenhum deslocamento dos seus topos
2 – estáveis: podem ser controladas de forma não cirúrgica (imobilização externa)
3 – Instáveis: a imobilização externa é geralmente ineficaz em manter o correto alinhamento da fratura
4 – irredutíveis: é necessário cirurgia e redução da fratura sob visualização direta
5 – fraturas expostas

Não cabe neste artigo mencionar os critérios de classificação mas explico de forma sucinta os métodos escolhidos para tratamento:
Tipo 1: imobilização com tala gessada ou de alumínio. Geralmente, associa-se à imobilização um dedo adjacente saudável. É necessário o controlo radiográfico aos 7- 10 dias para confirmar correto alinhamento. Geralmente é suficiente um período de imobilização de 3 semanas ou 4 semanas.
Tipo 2: Imobilização com tala de gesso. Pode ser necessário manipulação prévia, sendo neste caso obrigatório RX de controlo após manipulação e novamente aos 7 e 15 dias. A imobilização deverá ser com tala de gesso, incluir um dedo adjacente; geralmente, um período de 4 semanas é suficiente para a imobilização.
Tipo 3: tratamento no bloco operatório: manipulação e fixação com Agulhas (Fios) de kirschner através da pele, sem abrir o foco de fratura  e com ajuda de radioscopia.
Tipo 4: cirurgia com visualização do foco de fratura e fixação interna (fios k, parafusos ou placa e parafusos).
No tipo 3 e 4, o uso de fios k obriga a imobilização externa associada (com tala de gesso). O uso de placas e parafusos evita a utilização de imobilização externa e geralmente é permitido mobilização ativa cuidadosa precoce.
A abertura do foco de fratura tem como inconveniente aumentar a possibilidade de rigidez.
Tipo 5: para além do tratamento das lesões associadas, geralmente é utilizado métodos rígidos de fixação interna. Em casos especiais pode ser necessário usar fixação externa

Para o tipo 1,2 e 3 o tempo esperado de consolidação varia entre as 3 e 6 semanas.
O tipo 4 e 5 podem ter tempo de consolidação superior e as fraturas expostas podem evoluir para não consolidação. Nestes casos está indicado nova cirurgia, uso de enxerto ósseo e métodos rígidos de fixação interna (placas e parafusos)

Os métodos aqui descritos são aqueles que utilizo mais frequentemente, mas não invalida a utilização de outros métodos ou critérios.

Se por um lado devemos optar por métodos de tratamento mais simples e menos invasivos, por outro, devemos escolher métodos que nos garantam a estabilização da fratura e manutenção do correto alinhamento durante a consolidação.
Assim, o Clinico tem que reconhecer critérios de instabilidade e nos casos de indicação cirúrgica, este deverá ser efetuada nas fases iniciais do tratamento.
Uma cirurgia tardia terá sempre piores resultados que aquela efetuada precocemente.

É obrigatório seguir os protocolos de reabilitação apôs imobilização/cirurgia para recuperação das mobilidades articulares.