PSEUDARTROSE DO ESCAFOIDE COM ARTROSE


ARTROSE DO PUNHO SECUNDÁRIA A PSEUDARTROSE DO ESCAFOIDE

Usamos um capitulo á parte, pois geralmente o mais importante á tratar a artrose do punho.
As pseudartroses de longo tempo de evolução estão geralmente associadas a artrose e/ou colapso do carpo, atualmente designadas por SNAC (scafo non-union advanced collapse).

Nos casos de pseudartrose do polo proximal, o fragmento proximal vai-se reabsorvendo e esclerosando progressivamente, transformando-se num pequeno fragmento ósseo triangular, esclerosado, com alterações estruturais importantes (mais denso e perda da trabeculação óssea) e geralmente avascular, perdendo viabilidade biológica de consolidação. 

Neste casos está indicada a sua exerese. Poderemos utilizar um implante específico (em pirocarbono), mas após um estudo por nós efectuado, não obtivemos melhores resultados com o implante, e pelo contrário, registamos algumas complicações, pelo que abandonamos a utilização do referido implante.

Faxemos a exérese do pequeno fragmento de escafoide e preenchemos o espaço livre com uma “anchova” tendinosa

A artrose evolui geralmente de uma forma padronizada:

Estas lesões podem ser classificadas em vários graus:

Grau 1: artrose estilo escafoideia

Grau 2: artrose radio-escafoideia

Grau 3: grau 2 + artrose entre o Escafoide e o grande-osso

Grau 4: grau 3 + artrose entre o grande osso e o semi-lunar

Grau 5: grau 4 + artrose entre o semi-lunar e o radio – associada a artrose generalizada do punho 

 

Tratamento das várias situações:

Grau 1:  artrose não precisa de tratamento; se a pseudartrose for corretamente tratada, a artrose desaparece.

Grau 2: se estão associados a grandes osteófitos (neo-formações ósseas peri-articulares), estes precisam de ser removidos.

Grau 3: poderemos tratar apenas a pseudartrose, mas é possível que o punho continue doloroso devido à artrose; neste caso associamos fixação entre o escafoide e o grande osso.

Utilizamos placa específica de forma circular e parafusos, de preferência bloqueados, seguida de imobilização de cerca 4 semanas.

Grau 4: tratar apenas a pseudartrose não é solução, pois o punho continuará doloroso

O método que eu prefiro é a fixação entre o semi-lunar, grande osso, unciforme e piramidal (Artrodese dos 4 cantos – four corner fusion). Geralmente o semi-lunar está em posição incorreta (instável em dorsiflexão), pelo que terá de ser corrigido. 

Uso placa circulares, anteriormente apelidadas de “spider” com vários parafusos, entre 6 a 8. Estas placas vieram a permitir melhores resultados e diminuir o tempo de imobilização.

Associamos Ainda a exerese do escafoide para evitar a mobilidade entre superfícies artrósicas e melhorar a amplitude articular.

Esta operação está indicada quando a dor é limitativa do uso do punho.

No pós-operatório usamos imobilização externa durante 4-5 semanas, mas permitimos alguns períodos diários de mobilização cuidadosa ao fim de 3 semanas.

Com esta operação será de esperar um arco de mobilidade de cerca 60 % e força de 75 ou 80%.

 

Grau 5: está a indicada a fusão total do punho. Em casos selecionados, isto é doentes com poucas necessidades manuais, não sujeitos a tarefas de grande impacto, mas ainda com boa qualidade óssea, poderemos propor a artroplastia total do punho.