DEFORMIDADES CONGÉNITAS DA MÂO E DO MEMBRO SUPERIOR – GENERALIDADES E INTRODUÇÃO


DEFORMIDADES CONGÉNITAS DA MÂO E DO MEMBRO SUPERIOR

1 – GENERALIDADES E INTRODUÇÃO
Estas deformidades ocorrem durante a gestação (gravidez) manifestam-se geralmente aquando do nascimento; algumas deformidades, no entanto, poderão tornar-se visíveis mais tarde com o crescimento e / ou maturação tecidular.

As deformidades podem estar associadas a alterações genéticas e portanto passíveis de transmissão familiar, ou pelo contrário, serem secundárias a um dano tecidular ocorrido durante o desenvolvimento fetal, provocado por um agente teratogénico (certos medicamentos, vírus, radiação ionizante e outros). Nestes casos, as deformidades ocorrem de forma esporádica e não têm transmissão familiar.

A federação internacional das Sociedades de Cirurgia da Mão criou uma classificação com o propósito de agrupá-las e sistematizá-las e mais facilmente propor planos de tratamentos.Posteriormente, algumas alterações foram propostas devido a novos conceitos de sequências teratogénicas, mas a referida classificação contínua válida na generalidade.
Alguns estudos efetuados apontam para o aparecimento de 1,5 a 3 deformidades congénitas da mão e membro superior em cada 1000 nascimentos. É importante lembrar que muitas destas deformidades não são mais que pequenas alterações, com impacto visual mínimo, sem perturbação funcional e não requerem tratamento.Iremos abordar alguns temas na generalidade e focarmo-nos com mais algum pormenor nas deformidades mais frequentes.

Idade da cirurgia: Não falarei de idade ideal de cirurgia, pois essa é variável de autor para autor, mas falarei em idade preferencial de cirurgia, subentendendo-se desta forma qual a minha preferência. Assim, a idade preferencial de cirurgia depende de inúmeros factores:

1 – Idade da maturação imunológica: que ocorre pelos 5 meses. Devemos evitar cirurgias antes desta idade.

2 – Risco anestésico: crianças saudáveis sem risco anestésico poderão ser operadas mais precocemente que outras, que tenham patologia associada. 
A idade em si pode ser um factor de risco. Naturalmente que crianças muito jovens têm risco anestésico aumentado e quando propomos cirurgia precoce deveremos sempre contrabalançar os riscos anestésicos com os benefícios da cirurgia precoce.

3 – Tipo de deformidade:: Deformidades que se agravam com o crescimento e , principalmente, deformidades que provocam deformidades ósseas ou articulares progressivas tem indicação para cirurgia precoce.

4 – Tipo de procedimentos: Também quando o cirurgião pensa numa operação que inclua reposicionamento de um dedo, transferência de falanges ou transferências músculo-tendinosas, a taxa de sucesso é mais rápida e garantida quando efetuada em idades mais jovens.

Na minha opinião, procedimentos que envolvam exérese de um dedo supranumerário deverá, preferencialmente, ser efetuada antes de a criança ter consciência do seu esquema corporal, para evitar uma possível noção de perda após a cirurgia.

5 – Aspectos psicológicos da criança:  reação da criança à cirurgia varia de acordo com a idade. Na minha opinião, uma idade compreendida entre os 18 meses e os 3-4 anos, é aquela em que a maior parte das crianças reagem mais negativamente à cirurgia.
 A idade entre os 5 e os 6 anos tem vantagens por se situar na fase pré-escolar.
 Entre os 7 e os 9 anos a criança está geralmente motivada para a intervenção cirúrgica, pois é das fases em que mais se consciencializa da deformidade, comparando-se com os seus colegas. Esta é uma fase em que os jovens aceitam e se motivam para uma cirurgia. No entanto, o cirurgião nunca pode criar falsas expectativas na criança. Uma criança espera que a cirurgia lhe restitua um membro normal, mas é obrigatório que o cirurgião explique detalhadamente (ao nível do entendimento da criança) qual o propósito da operação, os riscos, benefícios e limitações.
 O não cumprimento deste pressuposto pode criar sentimentos de forte frustração na criança, insegurança e desconfiança, não só para com o médico, mas também para com outros profissionais / instituições de saúde.

6 – Certas cirurgias mais minuciosas, ou que envolvam procedimentos microcirúrgicos: tornam-se mais fáceis de executar em crianças mais crescidas. As capacidades técnicas do cirurgião também podem influenciar a idade escolhida para operar, mais cedo ou mais tarde.
7 – Se possível: a(s) cirurgia(s) deverão ser realizadas antes da entrada na escola ou jardim-escola.