Polidactilias


O que são Polidactilias? Que tipo de polidactilias existem?

Polidactilias significam dedos supra-numerários, ou seja número excessivo de dedos. Geralmente, o dedo supranumerário não apresenta desenvolvimento completo.
É a segunda deformidade mais frequente asseguir à sindactilia

Podemos dividir a deformidade em 3 tipos:

Polidactilia radial ou do polegar (existência de 2 polegares)

Polidactilia central (existência de dedo acessório a nível de D2, D3 ou D4)

Polidactilia cubital ou do 5° dedo.

Fig. 1: Polidactilia do polegar

Fig. 2: Polidactilia Central

 

Fig. 3: Polidactilia Cubital (5º dedo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Polidactilia do polegar:

A polidactilia do polegar é a mais frequente na raça branca.
É quase sempre unilateral (ocorre apenas num dos lados) – na nossa casuística temos apenas uma criança com a deformidade bilateral (nas 2 mãos).

É uma deformidade herdada de pais para filhos?
A polidactilia do polegar é de ocorrência esporádica, quer dizer que geralmente não é transmissível de país para filhos.

Como é tratada? A cirurgia é simples?

Apesar de ser frequentemente considerada como uma malformação menos exigente, está associada a alta taxa de deformidade residual pós-operatória, principalmente quando não são cumpridas as normas corretas de tratamento.

A Classificação mais utilizada divide as polidactilias em 7 tipos, dependendo do nível da duplicação.

As mais exigentes e difíceis de tratar são as tipo 2 e tipo 4 (ver fig. 4 e 5).

Fig. 4: Polidactilia do polegar tipo 2: duplicação a nível da IFD

Fig. 5: Polidactilia do polegar tipo 4: duplicação a nível da MCF; polidactilia do tipo divergente/convergente

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Polidactilia do polegar:

 

 

 

 

 

 

 

 

O tipo 4 (ver fig. 5) ocorre em cerca de 60% dos casos e na maior parte dos casos são do tipo divergentes/convergentes, isto é, as primeiras falanges dos dedos divergem e as segundas convergem. Apesar disso o dedo mais anormal é (quase) sistematicamente o mais radial, sendo que, o que fica encostado ao indicador é o dedo a preservar (pois, é geralmente o maior e/ou com melhores mobilidades).

No tratamento cirúrgico dos meus pacientes, sigo os seguintes critérios e princípios.

(Nota: tratam-se dos meus critérios, o que significa que outros critérios possam ser igualmente eficazes)


1- Idade da cirurgia: Sempre que haja desvio axial no dedo a preservar, a criança deve ser operada antes, ou por volta dos 12 meses de idade.

2- Deveremos preservar o dedo melhor desenvolvido e com melhor mobilidade. O dedo mais rígido deve ser excisado.

3- A menos que haja uma discrepância grande no comprimento dos dedos, a polpa deverá ser reconstruída com tecidos e pele de ambos os dedos (ver esquema na Fig. 6).

4- Sempre que na remoção da(s) falange(s) tivermos que desinserir um ligamento ou estrutura músculo-tendinoso, teremos que o reinserir na falange a preservar (Fig. 6).

5- Os desvios axiais das falanges (muito frequentes no tipo 4, mas também presentes noutros tipos), deverão ser corrigidos com Osteotomias (corte e correção do osso) e fixação com fio k (Fig. 6a e 6b).

Fig. 6 a – esquema da cirurgia

 

 

 

 

 

 

 

6 – Frequentemente é necessário retensionamento e/ou alongamento ligamentar.

7- A polidactilia tipo 1 nem sempre precisa ser operada.
Quais os resultados que podermos esperar da cirurgia?

Deveremos sempre avisar que o polegar será mais pequeno que o normal (Fig. 7).

 

Fig. 7: Polidactilia do polegar operado: dedo um pouco menor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com uma técnica cirúrgica meticulosa, poderemos esperar um polegar com boa função

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 8,9 e 10: Função do polegar operado

Polidactilia cubital (ou do 5° dedo)

Também conhecida como polidactilia post-axial

A Polidactilia do 5° dedo tem comportamento semelhante à do Polegar?

Ao contrário do que acontece no polegar, a polidactilia do 5° dedo é mais frequente na raça negroide; frequentemente existe tendência familiar. Frequentemente é bilateral e também frequentemente está associada a polidactilia do 5° dedo do pé. É frequente vermos crianças com um dedo supranumerário em cada mão e pé.

 

Fig. 11: Polidactilia do pé

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De modo geral são situações muito mais simples de operar que a polidactilia do polegar.

Em geral, temos duas situações mais frequentes:

1 – Presença de um dedo rudimentar, sem ligação óssea com a mão, encontrando-se preso por um estreito pedículo de pele. Por vezes estas estruturas são laqueados (com um fio apertado) na altura do nascimento ou nas primeiras semanas de vida. Trata-se de um procedimento não desejável pois pode complicar com uma infeção e passado uns tempos cresce uma estrutura noduliforme, correspondente ao crescimento de resíduos do dedo